CHAT - JOVENES - LA ROCA DE HOREB

Author: Missão Venezuela
•14:30

Roberto Dooley, palestra avulsa no CLM, junho de 2003

O adolescente de 16 anos João Ferreira de Almeida, dois anos depois de se converter lendo um folheto evangélico em espanhol, começou a primeira tradução da Bíblia na língua português. Órfão, ensinado em latim dentro da igreja católica, viajando na companhia de um tio, em 1644 ele se encontrou na ilha de Java na Indonésia, que era uma colônia holandesa, mas que pertencera a Portugal, e tinha muitos falantes nativos de português. Como adolescente traduziu os evangelhos e Atos, mas sem acesso nem conhecimento das línguas bíblicas originais, o hebraico e o grego, portanto deixou a tarefa por alguns anos. Anos depois a retomou, quando teve a oportunidade de estudar as línguas originais, e refez a sua tradução anterior. A tradução levou até o fim da sua vida aos 63 anos. Ele morreu antes de terminar o Antigo Testamento (o pesadelo de cada tradutor), e a tradução foi completada por um outro luso-indonesiano. Recebeu bem pouco e só por seu trabalho no Novo Testamento; o pagamento foi de 30 reis, posteriormente aumentado para 50. Fora da comunidade evangélica, ele é pouco conhecido. Se você o procurar na Enciclopédia Barsa, você vai encontrar Almeidas que eram médicos, poetas, escritores, políticos, mas não vai achar João Ferreira de Almeida. Além de ser o primeiro a traduzir a Bíblia em português, foi um missionário na Indonésia, Ceilão (Sri Lanka) e Índia. Almeida era um missionário-tradutor, um dos primeiros depois da reforma. Seu trabalho mudou a história do evangelho no Brasil e em outros países lusofones. Ele não recebeu seu galardão nesta vida, nem viu o fruto do seu trabalho fora de Indonésia, mas galardão tem, sim, e fruto deu.

João Ferreira de Almeida entendeu algo que eu tomo agora como meu tema, que é o seguinte: a Bíblia na língua materna é o elemento mais essencial para o êxito, a longo prazo, no campo missionário, e a história mostra isso. Esse tema, em si, talvez seja um ponto pacífico entre vocês, mas ele tem implicações que podem mudar a sua vida, como mudaram a minha.

A história mostra que, quando missionários levam o evangelho a lugares onde antes ele nunca penetrou, entre outras línguas e culturas, a tradução bíblica é o elemento mais essencial para o seu êxito. Certamente há exceções, mas via de regra, onde a Bíblia não é bem entendida há confusão espiritual (superstição, sincretismo, etc.) e, se existirem igrejas, elas tendem a ser divididas em dois níveis ou camadas: no nível superior, há uma elite eclesiástica que tem acesso à Bíblia, que pontifica e ensina a todos os demais — os do nível inferior — o que eles devem crer. Isso pode ocorrer de propósito ou sem querer; ocorreu durante uma grande parte da história da igreja católica e também em certos trabalhos evangélicos. Mas onde a Bíblia é traduzida na língua do povo, os crentes comuns se tornam nobres, no sentido daquilo que aconteceu na cidade da Beréia, depois que as pessoas ouvirem o evangelho pregado pelo apóstolo Paulo: “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos 17.12). A igreja se torna nobre e forte quando ela basea sua fé diretamente na palavra de Deus.

O meu tema é o segunte: segundo a história, a tradução bíblica é essencial à missão a longo prazo. Esse tema vou apresentar através de três pontos principais, começando com o que aconteceu quando o próprio Deus começou o trabalho evangélico missionário, enviando seu Filho Jesus Cristo.

Ponto 1: Quando Deus enviou Jesus, enviou-o com uma grande pancada de tradução.

Vejam bem, isso é diferente do que afirmar que a tradução é arraigada na encarnação. Isso é um ponto importantíssimo, mas meu ponto aqui não é teológico, mas sim, histórico. Ele tem a ver com tradução que acompanhou a vinda de Jesus a este mundo dois mil anos atrás.

Quando Jesus nasceu na Palestina, o hebraico do AT, como uma língua falada, estava quase morto. Ele era ouvido apenas nos sinagogas e nas escolas dos rabinos. Os judeus palestinos falavam uma outra língua, o aramaico, que é aparentada com o hebraico mas distinta deste. No sinagoga, era necessário que a leitura das escrituras em hebraico fosse seguida de uma interpretação em aramaico, uma prática que já existia na época de Esdras e Neemias: “Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia” (Ne 8.8).

No mundo mediterrâneo fora da Palestina, a língua mais usada para o comércio e o estudo era o grego; isso era antes que o latim fosse dominante no império romano. O grego era a língua franca do império. Mas além disso, muitos desses falantes do grego falavam, em casa, uma outra língua local. Então, se a mensagem de Cristo iria ter qualquer impacto pelo mundo afora, não poderia ser no hebraico do AT. Era necessário alguém fazer ajustes lingüísticos. Quem os fez foi o próprio Deus. A maneira que ele os fez é crucial. Ele não os fez ressuscitando o hebraico e fazendo com que todo o mundo o entendesse. Quando Deus enviou Jesus e inaugurou a proclamação do evangelho, ele fez os ajustes lingüísticos através da tradução.

Na tradução, Deus seguiu duas estratégias distintas: uma estratégia usando a língua majoritária ou a língua franca, para alcançar o maior número possível de pessoas; e usou também uma estratégia de língua materna, pela qual cada grupo é alcançado na língua do coração. A estratégia de língua majoritária corresponde à igreja no seu aspecto universal, no qual todos os crentes fazem parte num só corpo e numa só comunhão. A estratégia de tradução na língua materna corresponde à igreja no seu aspecto indígena no senso largo da palavra, que refere ao fato de que, em toda etnia e em toda cultura, as pessoas devem se sentir em casa com o evangelho, ele precisa pertencer à vida delas, tocando toda parte da sua cultura. Nos lugares e épocas onde existe ou existiu a igreja universal sem a igreja indígena, ela tende a ser centrípeta, centralizada, hierárquica, institucional e, no seu estado final, morta. De outro lado, onde existe a igreja indígena sem a comunhão da igreja universal, ela tende a se sentir isolada, esquecida, periférica, sozinha. Então, quando Deus enviou seu Filho Jesus, ele fez os necessários ajustes lingüísticos usando as duas estratégias de tradução — na língua majoritária e também nas diversas línguas maternas.

a. O primeiro passo foi tomado mais de dois séculos antes de Cristo, quando traduziram o AT do hebraico para o grego. Esta tradução foi chamada a septuaginta, pode bem ter sida a primeira tradução de uma obra tão volumosa em qualquer língua. Os judeus usaram a septuaginta durante apenas três séculos, mais ou menos: dois séculos antes da vinda de Jesus e um depois. Por que eles pararam de usá-la? Justamente porque a septuaginta, nas mãos dos cristãos, havia se tornado uma arma muito eficaz na divulgação do evangelho. Até a complementação do NT, a Bíblia da igreja cristã era a septuaginta. Foi isso que os bereianos usaram para verificar se a mensagem de Paulo era verdadeira. E foi através da sua compreensão do AT, na língua grega da septuaginta, que achou que era, de fato, assim. Foi por causa disso, que aconteceu em muitos lugares, que os judeus descrentes começaram a criticar a septuaginta como tradução, e ainda chegaram a dizer que o AT hebraico não poderia ser traduzida a princípio — a mesma posição que mulçumanos bem ortodoxos tomam hoje referente ao Corão. Mas para os judeus descrentes, era tarde demais: durante aquele primeiro século AD, a septuaginta havia servido com muito efeito na divulgação do evangelho. Portanto, o trabalho missionário cristão começou dentro essa breve janela de tradução bíblica judaica.

b. Jesus evidentemente ensinou no aramaico. Quando os soldados romanos estavam livrando o apóstolo Paulo do alvoroço dos judeus descrentes no templo, ele parou na escada e lhes falou assim: “‘Irmãos e pais, ouçam agora a minha defesa.’ Quando ouviram que lhes falava em aramaico, ficaram em absoluto silêncio” (At 22.1-2, NVI). Eles prestaram atenção. Aconteceu o mesmo quando Jesus ensinou o povo: ele ensinou no aramaico, e eles escutaram. Fez, sim, parte da sua encarnação, usar a língua do povo. Mas quando os apóstolos chegaram ao ponto de escrever os evangelhos e as palavras de Cristo, ficaram diante de uma questão lingüística: em que língua escrever? O hebraico do AT era quase morto, o aramaico era limitado à Palestina e o oriente médio antigo. Todos estes países pertenciam, queira ou não, ao império romano, cuja língua franca era o grego. Portanto, para o maior número possível poder entender, escreveram o NT em grego. (Se eles basearam seus evangelhos num ou outro documento em aramaico, isso não é relevante aqui.) O importante aqui é o seguinte: para eles escreverem em grego, foram obrigados a traduzir as palavras de Cristo do aramaico. É o único caso que conhecemos das escritas sagradas originais de qualquer religião serem numa língua diferente da do seu fundador. No NT original, grego, as palavras de Cristo já ficaram em forma traduzida. Portanto, no AT e no NT, na língua grega, ilustram a estratégia de tradução em língua majoritária. Deus estava anunciando o evangelho ao mundo, da forma mais abrangente possível.

c. O grego era a língua franca do comércio e da cultura, mas uma grande parte dos seus falantes falavam, em casa, uma outra língua local. Deus não negligenciou essas outras línguas, e sim, fez uma coisa bem especial para elas quando enviou seu Santo Espírito no dia de pentecostes. O aniversário da igreja foi sinalizado por uma enxurrada/saraivada de tradução – neste caso, tradução oral. Lemos em Atos 2 “Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?” (vv 9-11). Poucos dias antes disso, Jesus havia dito aos seus discípulos que iriam receber o poder do Espírito Santo para serem suas testemunhas até os confins da terra, e logo depois, em Atos 2, Deus inaugurou a sua campanha missionária traduzindo seu testemunho, através do poder do Espírito, nas línguas maternas dos seus ouvintes.

Então, temos a tradução do AT do hebraico para o grego, a tradução das palavras de Cristo do aramaico para grego (estas duas traduções sendo feitas na estratégia de língua majoritária), e também temos, no dia de pentecostes, a primeira proclamação pública do evangelho, traduzida pelo próprio Espírito Santo nas várias línguas maternas. É isso o que eu quero dizer quando digo que Jesus veio junto com uma pancada/“chuva” de tradução. Isso não é surpreendente, se a tradução é essencial para o trabalho missionário, porque foi exatamente isso que Deus estava iniciando, enviando Jesus e inaugurando a proclamação do evangelho.

Nestes eventos todos, podemos fazer uma observação sobre a atitude de Deus quanto às línguas. Parece que, para Deus, não importa qual língua é usada, pode ser uma ou outra, com uma pequena ressalva que fica como uma constante: precisa ser sempre numa língua que os ouvintes usam e entendem bem. Fazemos uma outra observação: No cristianismo, em contraste com as outras religiões, não há um lugar santo para todo o mundo fazer romaria ou peregrinação, nem existe uma língua santa de status elevada. (Por isso, não têm muito sentido as piadas sobre a língua que vamos falar no céu.) Todos os lugares, todas as línguas podem ser santas ao Senhor, todas podem ser usadas para os Seus propósitos.

Ponto 2: Ao longo da história das missões, a tradução bíblica tem sido um passo chave para o evangelho pegar em novas línguas e culturas.

a. Você reconhece quanto deve ao Lobinho? Ulfilas ou Wulfila ‘Lobinho’ (311-382) nasceu entre os godos, uma tribo extremamente bélica, num lugar na Europa onde atualmente fica o país da România. Anos antes, seus avôs haviam sido levados para lá como cativos. Mandaram Lobinho para Constantinopla para estudar, onde ele aprendeu latim e grego. Ele também conheceu o evangelho e se converteu a Cristo. Resolveu, então, voltar como evangelista aos godos. Ele elaborou um alfabeto para sua língua — que, até então, havia sido apenas uma língua oral — e traduziu a Bíblia. A tribo inteira se converteu e, a partir deles, a fé se espalhou para outras tribos européias que eram ancestrais dos alemães, dos ingleses e de outros povos. Na geração após o Lobinho, os mesmos godos conquistaram Roma. Uma coisa boa foi que Roma foi conquistada por bárbaros cristãos, o que aconteceu é que o cristianismo não se extinguiu com a extinção do império romano. No seu território original ele se encolheu bastante, e poucos séculos depois a parte oriental do antigo império romano foi subjugada pelo Islã mas, através dos godos, o evangelho já tinha um novo centro na Europa do norte, onde Islã não o alcançou, e de onde, séculos depois, o evangelho iria surgir com uma renovada força e clareza, na reforma alemã. Obrigado, Lobinho.

b. Mil anos depois do Lobinho, João Wycliffe e seus associados traduziram a Bíblia pela primeira vez em inglês (1383). Wycliffe não tinha o benefício de bons manuscritos nas línguas originais — ele traduziu do latim — e, naquela época, não havia imprensa, nem xerox. Portanto, todas as primeiras Bíblias em inglês eram copiadas à mão. Mas estas cópias, os seguidores de Wycliffe levaram pelas estradas da Inglaterra toda, pregando a mensagem em inglês. Muitos deles foram mortos, mas as escrituras na língua materna não podiam ser tão facilmente extinguidas. No seu tempo seguiu a reforma inglesa, e depois a emigração religiosa para a América. Obrigado, João Wycliffe e seus colegas.

c. Em maio de 1521, Martinho Lutero foi levado perante um tribunal eclesiástico, presidido pelo Imperador Carlos V, na cidade de Worms. Dntre as acusações contra ele foram citadas as seguintes: que ele perverteu o ensino da igreja sobre a santa ceia, que ele negou a autoridade do papa, que ele era um cismático e que ele reconheceu apenas a autoridade das escrituras. Eram acusações gravíssimas, e a defesa de Lutero caiu em ouvidos surdos. No fim dos procedimentos, três coisas ocorreram: Lutero foi condenado, seus livros foram queimados em praça pública, e ele mesmo foi apreendido por amigos que o levaram ao castelo de Wartburg. Até o fim do ano em curso, ou seja, num período de seis meses, ele traduziu o NT para o alemão. Uns anos depois, ele terminou o AT também. O que eu quero destacar aqui, é que Lutero respondeu às acusações de heresia, traduzindo as escrituras na língua do povo. Sendo Lutero, obviamente ele respondeu de outras formas também. Mas sua melhor resposta, a longo prazo, foi a Bíblia em alemão, porque, através dela, ficou claro, para todos os nobres “bereianos” de fala alemã, o que era heresia e o que era evangelho puro. Se você quer que aquele povo onde você trabalha entenda bem o evangelho, se você quer evitar erro e confusão, então a estratégia melhor, a longo prazo, não será ficar ensinando uma determinada teologia, por mais certa que seja, mas será a tradução das escrituras na língua do povo.

d. João Eliot era um jovem inglês formado na universidade de Cambridge para ser pastor. Ele foi para América no ano1631, um ano depois da fundação da colônia de Massachusetts e da cidade de Boston. (Isto se deu três anos após o nascimento, em Portugal, de João Ferreira de Almeida.) A João Eliot foi entregue uma igreja na vila de Roxbury perto de Boston. Essa igreja ele pastoreou fielmente durante 58 anos. Durante este tempo, ele começou a trabalhar com índios da tribo massachusetts que moravam por perto. Ele aprendeu sua língua, fez uma descrição gramatical, pregou o evangelho e traduziu a Bíblia. Ela foi publicada no ano1663, a primeira Bíblia em qualquer língua a ser publicada na América. (Naquele mesmo ano, Almeida voltava da Índia à Indonésia, onde começou a re-traduzir a Bíblia em português usando as línguas bíblicas originais.) Cerca de 4000 índios massachusetts se converteram; foram conhecidos pelo nome “índios que oram”. Poucos anos depois, ainda durante a vida de João Eliot, a tribo foi exterminada quase completamente, por guerra e doenças, como tem acontecido muitas vezes na América do Norte e do Sul. A notícia boa é que antes desta tribo desaparecer, muitos aceitaram Jesus como salvador, para o crédito eterno de João Eliot.

e. A era das missões modernas é geralmente datada como iniciando com o trabalho do inglês William Carey, batista e sapateiro que foi á Índia um pouco mais de 200 atrás. Lá, ele traduziu a Bíblia para várias línguas. Na verdade, o primeiro missionário protestante na Índia foi mesmo João Ferreira de Almeida, 130 anos antes de Carey. A idade das missões modernas, seja iniciada com Almeida ou com Carey, começou com tradução bíblica. Posteriormente, algumas agências missionárias ficaram dentro da estratégia da língua majoritária, trabalhando em lugares onde a Bíblia já existia; portanto, elas negligenciavam a estratégia da tradução na língua materna, que também fazia parte do modelo que Deus usou na vinda de Cristo. Aí, quando surgiu o movimento moderno da tradução bíblica no século vinte, ela ressuscitou a estratégia da tradução na língua materna e a aplicou à tarefa ainda inacabada. Estamos agora mais ou menos 70 anos dentro deste movimento. Ele começou com três eventos importantes:

· O Instituto Lingüístico Summer realizou um programa de treinamento lingüístico em 1935 e, depois, quatro dos cinco formandos foram ao México, junto com o diretor, Tio Cam Townsend, para começar o trabalho de tradução. Destacamos aqui a visão concedida a Tio Cam pela tradução da Bíblia em todas as línguas maternas do mundo.

· Em 1946 foi inventado o primeiro computador, o ENIAC. Antes do computador, para cada tradução do NT era necessário datilografá-la 25 vezes, em média, e cada vez, além dos erros existentes serem corrigidos, novos erros de datilografia eram introduzidos. Hoje em dia, tradutores da Bíblia no mundo inteiro estão convencidos de que Deus mostrou essa invenção ao homem principalmente em beneficio do trabalho deles.

· Foi nesta mesma época e uns anos depois que a lingüística moderna começou a descobrir o que fazer com a sintaxe. De fato, o estudo da sintaxe já existia desde tempos antigos, mas seu tratamento não ia muito além de classes de palavras e usos retóricos de sentenças. Sua aparência na lingüística moderna pode ser datada pelo primeiro livro importante de Noam Chomsky, Estruturas sintáticas (1957). Em 1965 veio um segundo livro Aspectos da teoria da sintaxe, mas dois anos antes, Joseph Greenberg havia começado a segundo round da revolução sintática moderna com seu artigo, “Universais gramaticais com atenção especial à ordem de elementos significativos” (1963), ou seja, apenas 40 anos atrás é que a lingüística moderna passou a ter mais rigor e argumentação científica, não apenas na morfologia e fonologia como também na sintaxe, começou a sair do seu campo original extremamente restrito, na análise do inglês e poucas outras línguas européias, e aceitou o desafio de dar conta a todas as línguas humanas.

Portanto, no ponto da história onde nos encontramos atualmente, há três armas principais — a visão pela tradução em cada língua materna, o computador e a lingüística moderna com seus métodos e alcance global — que Deus está usando na tarefa ainda inacabada de tradução bíblica.

f. Voltemos mais uma vez na história para ver o outro lado da moeda, ou seja, um lugar onde a Bíblia não foi traduzida na língua do povo, mas chegou em forma de uma língua estrangeira. Trata-se da Irlanda. Já que meu sobrenome é irlandês, os Dooley têm uma parte da sua história ali (e outra parte com os índios cherokee da Oklahoma). No século depois que Lobinho traduziu a Bíblia na língua dos godos, Santo Patrício chegou na Irlanda com as escrituras em latim. Patrício, como Lobinho, estava voltando para o lugar onde havia antes morado como cativo, mas enquanto Lobinho seguiu a estratégia de tradução na língua materna, Patrício seguiu a estratégia que usava apenas a língua majoritária. Quando as escrituras são introduzidas numa língua estrangeira, a cultura pode ser radicalmente mudada, mas uma mudança se torna obrigatória que não tem nada a ver com o evangelho em si. Já que as escrituras não passaram por uma mudança lingüística, é necessário que O PRÓPRIO POVO passe por uma mudança lingüística. Se é para as pessoas entenderem e usarem as escrituras, elas são obrigadas a adquirir uma outra língua. Seria uma forma de proselitismo lingüístico: os convertidos são obrigados a assimilar uma característica secundária do missionário — a língua dele — para atuarem como convertidos no sentido pleno. O proselitismo lingüístico é contrário às melhores práticas missiológicas e também às conclusões do conselho de Jerusalém registradas em Atos 15. Naquela ocasião, novos convertidos dentre os gentios não foram obrigados a serem prosélitos do judaísmo através da circuncisão ou obediência à lei de Moisés. O Pastor Tiago articulou o princípio assim: “Portanto, julgo que não devemos pôr dificuldades aos gentios que estão convertendo a Deus” (v 19, NVI). O proselitismo lingüístico é uma dificuldade desnecessária para novos convertidos. Já a tradução na língua materna torna em realidade o que o apóstolo Paulo disse em Romanos 10.8: “A palavra está perto de você”. Quando a mensagem fica numa língua estrangeira, a palavra permanece distante, difícil. É tão difícil que, nessas circunstâncias, o que geralmente acontece é que o povo não consegue adquirir a língua da Bíblia e sua compreensão das escrituras fica subdesenvolvida, e os poucos que conseguiram as escrituras se tornam uma elite e ocupam o nível superior de uma hierarquia cristã. Foi isso o que aconteceu na Irlanda nos séculos após Santo Patrício. O país foi radicalmente cristianizado e até exportou a cristianismo e a erudição clássica por toda parte da Europa. Mas na Irlanda mesmo, apenas a elite cristã – principalmente os monges – tinham condições de conhecer as escrituras. O povo comum nunca aprendeu latim ou conseguiu entender as escrituras em qualquer língua, até que, mais de mil anos após Patrício, a língua inglesa foi introduzida. A Irlanda é um lugar de muitas tragédias. Uma delas é que a religião — tanto protestante quanto católica — tem se tornado um rótulo político, estreitamente identificada com metas políticas. Mas outra tragédia subjaz à primeira: as escrituras nunca chegaram na língua gaélica-irlandesa trazendo uma reforma espiritual. Ao invês disso, elas permaneceram sendo acessíveis somente em latim, dessa forma inoculando o povo contra a reforma, que nunca houve. 12 séculos depois de Patrício, a Bíblia foi finalmente traduzida em gaélico-irlandês (1689), mas essa foi uma tradução protestante que nunca penetrou na igreja católica. Nunca foi feita uma tradução católica. Na época presente, é bastante tarde: apenas 13% do povo entende irlandês e mesmo estes falam principalmente o inglês. Até hoje, a missa é rezada em latim. Como diz o teólogo africano Kwane Bediako: “Ter as escrituras durante muitos anos, a não ser que elas existam na língua materna, não produz muitas conversões ou muita maturidade”.

Ponto 3: Não é tarde demais para ser um portador da palavra.

Em Ap 5.9, há um hino a Cristo com as palavras, “com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”. A tarefa inacabada pode ser expressa nestes termos: A palavra ainda precisa chegar a todos os que o sangue comprou. A compra foi feita por Jesus através do sangue; a nossa parte é levar a palavra.

Meu tema, que a tradução bíblica é essencial para o êxito, a longo prazo, das missões, pode ser óbvio. Para mim o é. Quando um grupo tem o evangelho, mas ainda não tem as escrituras na sua língua, está tentando viver a vida cristã sem a palavra de Deus. Quanto mais tempo passar assim, mais difícil será aprender usar as escrituras na vida diária e na vida da igreja. Às vezes, ouvimos assim: “Sabemos que a tradução da Bíblia é bem importante, mas outras coisas são mais urgentes.” O que a história ensina é o seguinte: A importância da tradução deve trazer para nós a sua própria urgência, como ela trouxe para aquele adolescente, falante do português, três séculos e meio atrás, na ilha da Indonésia.

Referências:

The Cambridge history of the Bible. 3 vols. Cambridge University Press. 1963-1970.

ANDERSON, Gerald H. Bibliographic dictionary of Christian missions. Macmillan, 1998.

CARVALHO, Marcelo Sales de. Senhor, também quero ser um “João”!, biografia de João Ferreira de Almeida. s.d.

DYE, T. Wayne. The Bible translation strategy: an analysis of its spiritual impact. Dallas: Wycliffe Bible Translators, 1980.

SANNEH, Lamin. Translating the message: the missionary impact on culture. Maryknoll: Orbis, 1989.

SLOCUM, Marianna com Grace WATKINS. The good seed. Orange, CA: Promise Publishing Company, 1988.

SMALLEY, William A. Translation as mission: Bible translation in the modern missionary movement. Macon, GA: Mercer University Press, 1991.

WALLS, Andrew F. The translation principle in Christian history. In: The missionary movement in Christian history: studies in the transmission of the faith. Maryknoll: Orbis, 2001. p. 26-42.

www.sil.org

www.wycliffe.org

Author: Missão Venezuela
•20:41

Faltam 12 dias para o DIP

Igrejas que confirmaram sua participação


O que é o Domingo da Igreja Perseguida?

O Domingo da Igreja Perseguida (DIP) foi criado pelo Irmão André, fundador da Portas Abertas, com o objetivo de unir cristãos em torno de um só motivo: nossos irmãos que pagam um alto preço por sua fé.

A data varia de ano em ano, pois é marcada para o domingo seguinte ao de Pentecostes. Esse critério foi adotado porque, no relato bíblico em Atos 4, o início das perseguições aos cristãos acontece logo após a descida do Espírito Santo, com a prisão de Pedro e João. Simbolicamente, pode-se dizer que essa foi a "fundação" da Igreja Perseguida.

Organizadores voluntários mobilizando igrejas para o DIP

Em 2008, 1.719 igrejas brasileiras participaram do DIP. Essa mobilização só foi possível graças à ação de voluntários – pessoas que conhecem a causa da Igreja Perseguida e se prontificam a divulgar, em suas igrejas e comunidades, as necessidades dos nossos irmãos perseguidos.

Em 2009, o DIP acontecerá no dia 7 de junho. Precisamos de sua ajuda para envolver um número maior de participantes. Até que todas as igrejas brasileiras conheçam a realidade dos cristãos perseguidos, não podemos nos acomodar!

Nos meses que antecedem o DIP, a Revista Portas Abertas publica suplementos e testemunhos que servirão de ferramenta para o organizador. Se você ainda não recebe a revista, veja aqui como é fácil tê-la todos os meses em sua casa.

Um dia inteiro de atividades: você escolhe a melhor para sua igreja

Um dia inteiro dedicado à oração e à lembrança desses irmãos que sofrem por sua fé! Irmãos que são exemplo de perseverança e de amor ao nosso Deus. As classes de escola dominical, as reuniões dos departamentos e os cultos desse dia poderão ser inteiramente dedicados ao DIP.

Esta é uma oportunidade para envolver adultos, jovens, adolescentes e crianças da Igreja brasileira com a Igreja Perseguida. E isso é feito por meio da oração e do relato de histórias e variadas situações vividas por nossos irmãos perseguidos.


Seja um organizador voluntário do DIP 2009


Você pode cadastrar seu nome como um organizador voluntário. Agende desde já o dia 7 de junho com seu pastor e ajude a divulgar a Igreja Perseguida em sua igreja.

Clique aqui para confirmar sua participação!

Ao se cadastrar, você receberá orientações de como organizar o evento. Entre os meses de abril e maio, a Missão Portas Abertas enviará a você o Kit DIP, um material de apoio para o organizador.*

Assista abaixo ao vídeo de divulgação

Para fazer o download do vídeo de divulgação clique aqui.

Para mais esclarecimentos, ligue para (0--11) 5181 3330 ou envie um e-mail para dip@portasabertas.org.br .

Clique aqui e leia os depoimentos sobre o DIP 2008

*O Kit DIP será entregue somente para aqueles que se inscreveram até dia 10 de maio de 2009. Depois dessa data, não podemos garantir que o Kit chegue até você a tempo. Portanto, se você se cadastrou após a data limite, acesse nossa área de download e baixe os arquivos do Kit e outros pelos quais você se interessar.

Fonte: Missão Portas Abertas

Author: Missão Venezuela
•19:54





Fonte: Portas Abertas
Author: Missão Venezuela
•19:40
Author: Missão Venezuela
•19:27

Ele também foi missionário. É professor de antropologia e autor de vários livros sobre antropologia missionária. Ele é considerado o principal antropólogo cristão da atualidade. Viaja ao redor do mundo dando palestras e cursos sobre missões em escolas missionárias e seminários. Ele é referencial para muitos líderes de missões em vários países.

Dr. Hiebert foi um dos principais preletores do 1º Congresso Nordestino de Missões, que aconteceu em outubro de 2002 na cidade de Caruaru/PE, onde gentilmente concedeu esta entrevista à Revista TODOSNÓS.

TODOSNÓS – Qual a importância da antropologia para a obra missionária?

PAUL HIEBERT – Eu creio que o missionário precisa pelo menos de duas coisas: uma é estudar as Escrituras, estudando teologia, teologia bíblica e teologia sistemática. A outra é estudar as pessoas e saber como se comunicar com as pessoas. A antropologia é importante para ajudar-nos a entender as pessoas. Muitos missionários não conhecem o povo, a cultura; a antropologia é essencial para que sejamos bons missionários. Mas a antropologia também pode nos ajudar a estudar as Escrituras porque ela nos ajuda a entender as pessoas envolvidas nas Escrituras.

TODOSNÓS – Quais os perigos e benefícios da contextualização das Sagradas Escrituras na pregação transcultural?

PAUL HIEBERT – O perigo da contextualização é quando colocamos a mensagem na língua local e na cultura do povo, porque a língua e a cultura do povo podem destruir, mudar a mensagem, ou afastá-la da verdade. Se não tivermos cuidado, o Evangelho pode ser convertido à cultura.
Mas há um perigo em não contextualizar; não teremos testemunha, nem mensagem, nem evangelismo. Em ambas as partes há perigo, mas o perigo de não contextualizar é maior do que o perigo de contextualizar.

Nós precisamos contextualizar criticamente, pensando e sabendo o que estamos fazendo, não só adotar tudo ou rejeitar tudo, mas fazer isso com critério.

TODOSNÓS – Quando fizermos alguma contextualização ou usarmos a antropologia para a pregação e ensino, não há algum perigo de deixarmos as Escrituras em segundo plano?

PAUL HIEBERT – Eu diria que o perigo é colocar a nossa teoria acima das Escrituras, a teoria social que usamos para estudar as pessoas, porque o Evangelho é para ganhar as pessoas. Então não podemos colocar as pessoas contra as escrituras; o Evangelho é para as pessoas. Mas também há o mesmo perigo na teologia sistemática e teologia bíblica, porque usamos métodos humanos para estudar as Escrituras. Então, existe o mesmo perigo em fazer teologia e fazer missiologia.

TODOSNÓS – O senhor pode citar algum exemplo na Bíblia onde Jesus usou a contextualização em seus ensinos?

PAUL HIEBERT – Todas as parábolas são contextualizações locais. Hoje nós devemos usar parábolas, não somente as parábolas bíblicas, mas situações reais do nosso dia-a-dia também.

TODOSNÓS – O senhor deve saber que a igreja brasileira foi influenciada na sua formação e ao longo do tempo pela cultura européia e americana, que implantou seus costumes como sendo “o certo”, é possível para a nossa igreja hoje resgatar sua identidade cultural e aplicá-la a uma teologia nos moldes brasileiros?

PAUL HIEBERT – Num certo sentido a igreja católica trouxe o catolicismo da península ibérica, Portugal e Espanha, e trouxe para cá um modelo de catolicismo ibérico. Os protestantes trouxeram mais da Europa do norte e dos Estados Unidos. Minha pergunta é: Qual é a identidade brasileira?Porque aqui há uma influência muito grande ibérica, depois, norte da Europa, Estados Unidos, também árabe, dos índios nativos e dos negros africanos... È uma grande mistura. Por isso eu vejo no Brasil um bom modelo de integração transcultural. Então todos esses detalhes devem ser estudados para se estabelecer qual é a “identidade brasileira”. Então vem a questão da nova contextualização cristã brasileira.
Os estudiosos precisam trabalhar exatamente nessa questão da identidade, de como juntar essas partes, porque isso pode se tornar um modelo na evangelização tribal, nos vilarejos, e inclusive urbana. Não existe só uma identidade brasileira; existem muitas influências de tudo quanto é lugar, misturado. Não podemos somente pegar uma identidade – aquela que achamos correta – e aplicarmos o Evangelho para ela; ela é muito mais complexa. Eu creio que a igreja evangélica no Brasil pode ajudar a formar essa identidade brasileira, mais vai ter que avaliar todas as influências que teve dos Estados Unidos e Europa e não somente aceitá-las como se fossem as respostas.

TODOSNÓS – Bruce Olson em seu livro “Por esta cruz te matarei”, comenta que quando estava ensinando os índios sobre a questão de “construir sua casa sobre a rocha”, os índios não conseguiam aceitar essa parte, pois eles não conheciam esses métodos de construção e construíram suas casas (ocas) apoiadas em estacas fincadas na areia; então ele inverteu os fatos bíblicos para que eles compreendessem a moral do ensino e ensinou que o homem sábio edificou sua casa sobre a areia. O que o senhor acha? Ele contextualizou correto ao inverter os fatos bíblicos?

PAUL HIEBERT – Antigamente se pensava que não se poderia fazer isso, porque a Bíblia não diz isso. A tradução teria que ser literal, sem nenhuma contextualização. Depois começaram a dizer: “Não, temos que contextualizar, então foram para o outro extremo”. Bruce, nesse caso representa o outro extremo. Ele tentou corrigir o modelo antigo, porque o modelo antigo estava errado. Talvez as pessoas entendessem melhor dessa forma, mas não é o que as Escrituras estão dizendo. Agora estamos chegando mais para a contextualização crítica, temos que manter a Bíblia como foi escrita, depois podemos colocar notas no roda-pé ou notas explicativas. È mais fácil fazer esse processo com parábolas, porque elas são literais. Nos ensinamentos de Jesus, temos que ter ainda mais cuidado para manter a forma como está nos originais. Eu compreendo o que ele fez, mas eu não faria dessa forma. O que eu faria era o seguinte: traduziria como está no texto sagrado, mas colocaria uma nota de roda-pé, explicando o que isso significa na nossa cultura.

TODOSNÓS – Dentro da mesma questão: nós queríamos saber se ele poderia ensinar aos índios o método de edificação sobre a rocha? Ou se ele fizesse isso estaria adulterando a cultuara dos índios?

PAUL HIEBERT – O que eu acho que poderia fazer era dizer: “Isso é o que a Bíblia diz”. Jesus disse: “Façam suas casas sobre a rocha”. Então, nas notas de roda-pé, um comentário dizendo o que isso significa para essa cultura. Isso não mudaria a cultura, mas explicaria o que Jesus estava dizendo para aquela cultura. Um exemplo simples disso seria o dinheiro. A Bíblia pode dizer lá que “eram trinta ciclos”. Nós podemos traduzir como trinta ciclos. Alguém diria: “Temos que traduzir isso como quinhentos dólares. Agora todos compreenderiam”. A questão é que na época não havia dólares. Então com a inflação o valor vai mudando e na próxima edição sairia por setecentos ou novecentos dólares. Então devemos traduzir como trinta ciclos e colocarmos uma nota do roda-pé, dizendo que isso corresponde a mais ou menos tantos dólares. Assim ficaria fácil mudar a nota de roda-pé, porque todos sabem que roda-pé é uma explicação e não o texto em si.

TODOSNÓS – O senhor concorda com a afirmação de que o missionário é um destruidor de culturas, como dizem os antropólogos? Quando é que isso é verdade?

PAUL HIEBERT – Missionários destroem culturas, o comércio destrói culturas, o governo tem destruído culturas, educação tem destruído culturas, Coca-cola tem destruído culturas, Mercedes Benz tem destruído culturas. As culturas estão sempre mudando. Não existe cultura estática.
O comércio e o governo têm destruído as culturas muito mais que os missionários. A questão sobre mudança é: a mudança é boa ou ruim. Não queremos olhar para aquelas pessoas que estão morrendo de fome e dizer que isso faz parte da cultura e deixá-las morrerem de fome. Não queremos que elas morram de pragas ou doenças se nós temos remédios e podemos ajudar. Nós como missionários, devemos ajudar as pessoas a manter suas culturas, mas transformá-las fazendo com que elas sejam melhores.Muitos antropólogos acusam os missionários falsamente de destruírem culturas, mas o sistema educacional moderno destrói mais culturas do que os missionários. Cientistas, sociólogos...Todos estão tentando fazer mudanças culturais. Programas de desenvolvimento e outros mais. Agora, os antropólogos não querem que elas mudem. Nesse caso, o antropólogo é colonialista, porque o antropólogo decide: “Eles não podem mudar, mesmo que eles queiram”. Se sair um novo modelo de computador , o antropólogo quer um ; mas se um nativo quiser também, o antropólogo diz que não, que eles não podem ter.
Então os antropólogos devem ter muito cuidado porque às vezes eles não mudam culturas, mas eles se transformam em colonialistas, tão maus quanto aqueles que mudam as culturas.

TODOSNÓS – No Brasil os antropólogos não querem que os missionários entrem nas tribos indígenas, dizendo que essas tribos devem continuar com sua cultura original. Será que isso não é remorso pelo que o próprio país fez com o índio no passado, desprezando sua cultura e sua gente?

PAUL HIEBERT – Eles estão tentando nos lembrar que não devemos destruir culturas de uma forma maléfica. Como missionários devemos ser sensíveis ao que as pessoas das tribos estão falando. Mas se querem ser honestos, os antropólogos deveriam falar muito mais alto contra os grandes projetos, (empreendimentos onde milhões de árvores são cortadas). Onde os missionários foram, acabaram traduzindo a Bíblia para a língua nativa. Fazendo isso estamos mostrando respeito pela cultura e tentamos preservá-la. Quando o governo diz para os índios que eles devem aprender o português, o governo está destruindo a cultura. Muitas vezes os missionários têm ajudado essas tribos a se modernizarem, mas manter a sua cultura dentro da “modernidade”. Então isso é uma ponte entre o tradicional e o moderno. Muitos antropólogos querem mantê-los, querem que eles permaneçam tradicionais, mas o povo quer os remédios, eles querem os computadores, nós dizemos: “Não, não podem”. Nós mantemos essas pessoas como animais num zoológico para que possamos estudá-las e ganhar dinheiro com elas. Se os antropólogos gostam tanto delas, então por que não vão lá viver com elas? Não, eles não querem isso, eles querem viver em suas casas grandes. Eles não amam essas pessoas, eles não vivem toda sua vida lá. Eles as estudam como animais, você compreende? Eles dizem: “vamos preservar essa cultura”, mas eles não as amam realmente; se não, eles iriam lá e tentariam ajudá-las. Num mundo moderno, não haverá pessoas que não sejam afetadas pelo modernismo. Porque as pessoas tribais , na primeira oportunidade que têm, vão logo comprar lanternas, facões, facas e outros artefatos ou até mesmo armas de fogo? Elas querem isso. Nós não devemos forçá-los a permanecer num estado tradicional. Nós devemos deixar que eles mesmos tomem essa decisão, e devemos estar lá para ajudar da melhor forma possível. Dessa forma eu acho que os antropólogos nem sempre são amorosos.

via site da Missão Avante - http://www.missaoavante.org.br/
Author: Missão Venezuela
•19:24
Com o objetivo de equipar líderes profissionais para atuação em missões, paralelamente ao exercício de sua profissão, o Centro Evangélico de Missões, em parceria com a Associação de Fazedores de Tendas do Brasil - AFTB, oferece o Programa para Treinamento de Fazedores de Tendas.

Público Alvo:

Profissionais (com formação superior, média e também com outras capacidades práticas para servir no campo) e universitários. Candidatos para servir como missionários alternativos, testemunhando do amor de Cristo através do exercício de sua profissão de maneira ética e responsável e através dos relacionamentos pessoais que evidenciam o caráter cristão e o compromisso com o Reino de Deus.
O profissional ou estudante normalmente é muito ocupado. Por isso o Fazedor de Tendas poderá fazer um programa com algumas matérias presenciais - cursadas junto com as turmas da pós graduação - que facilitam a integração, a convivência, debates, a comunhão, etc., além de outras a distância.
A maioria das matérias será feita como Curso a Distância, com orientador para acompanhar o aluno. As matérias presenciais são oferecidas na Escola de Missões do CEM.
PARA MAIORES INFORMAÇÕES ACESSE: http://www.cem.org.br/academico/disciplina_fts.asp

Fonte: http://veredasmissionarias.blogspot.com/
Author: Missão Venezuela
•19:21

Participe do 51º Projeto Missionário da Juvep
São José da Lagoa Tapada - PB
03 a 27 de Julho

Para maiores informações Clique Aqui.

Fonte: http://veredasmissionarias.blogspot.com/

Author: Missão Venezuela
•19:13
Author: Missão Venezuela
•17:01
Clique para ver as fotos!

Gran Sabana 2
Author: Missão Venezuela
•05:51
MAX LUCADO EM JULHO NO BRASIL

Max Lucado

A partir de 18 julho Max Lucado, o maior escritor atual de livros de inspiração do mundo, virá ao Brasil. Durante 10 dias, Lucado passará por São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro com a turnê "Sem medo de viver", que também é o título do livro que o autor lançará em primeira mão no evento. Veja o convite que Max Lucado fez especialmente aos brasileiros:






By João Cruzué